Acordamos tarde na segunda-feira, eu mandei um sms pra escola de manhã avisando que estava doente, Andy também resolveu que não iria trabalhar... que iria passar o dia me mostrando músicas no computador...
Eu deitada na cama, ele levantou, fez chá pra mim, me trouxe, fez mais música... ajudou as meninas que iriam se mudar com táxi e coisas assim.
Foi meio nesse espírito que passamos a tarde. Em determinado momento me levantei, tomei banho e conheci o novo morador da casa, um argentino que trabalha com cinema. Foi esquisito quando conversávamos e vi o pobre olhando fixamente pra cama... Guess what, né? Amarras (kkkkkk) Tentei jogar a toalha que estava na minha mão pra encobri-la... não deu lá muito certo.
Saímos já no começo da noite pra comer, a gente se acabou de comer sushi! Tínhamos passado o dia todo sem comer nada, meu corpo ainda doía do sandboarding do dia anterior...
Chegamos em casa de volta e eu recebo um sms do meu chefe me perguntando se eu estava melhor, se conseguiria ir trabalhar no dia seguinte. Respondo que sim, agradeço a preocupação... Sento pra tentar corrigir os ensaios dos meus alunos, Andy -extremamente needy- exige minha atenção... eu estava curtindo muito a companhia pra não ceder... Joguei os ensaios todos no chão e decidi que iria me preocupar com eles depois.
Andy queria que eu assistisse "The Book of Eli", começamos a ver juntos, sob a condição de que eu acordaria 6 da manhã no dia seguinte e ligaria as luzes pra corrigir meus trabalhos. Não vimos o filme, claro... havia outras coisas mais interessantes a serem feitas.
Não fui amarrada de novo, como eu disse, experimentamos outras coisas, curtimos a noite e dei muita, muita risada com o Andy me contando uma história de uma menina pra quem ele pediu um blow job. Ele sempre disse, sempre desde que a gente virou amigo, amigo... que amarrar meninas ajuda no caso daquelas que não têm a menor noção do que estão fazendo, e que a falta de noção se evidencia no blow job... Pois muito bem, nessa noite ele resolveu me contar o quão sem noção alguém poderia ser. Me disse que a pobre da menina (19 anos), ao ser requisitada pro "blow job" pegou no dito cujo e começou a assoprar e assoprar e assoprar...
Depois de eu me escangalhar com essa história, que só pode acontecer com falantes da língua inglesa (ou talvez com nossos queridos portugas, como lembrou uma amiga), nós dormimos...
6 da manhã eu acordo, começo a procura pelos meus óculos... Andy levanta, liga a luz e resolve tentar me ajudar. Eu enfio a cabeça embaixo da cama, cabelos na cara, procuro por todos os lados e nada... Quando viro pro criado mundo, tenho uma visão. "Os óculos?" diriam os otimistas... "Não", respondo do alto da minha vida dadaísta "uma barata". Grito e peço pro Andy matar o bicho pra mim, enquanto me escondo pra não ver o assassinato, encontro meus óculos... Barata morta, euzinha descabelada, totalmente desequilibrada... Andy tem um minuto da mais pura sensatez e diz "Não vá trabalhar hoje... dê ao seu chefe a opção de não ter que te mandar embora... Se você ficar doente dois dias... eles podem ficar chateados, mas superam... Se você aparecer desse jeito por lá? Ele não vai ter escolha a não ser te demitir..."
O argumento era irrefutável, virei pro lado e dormi... Depois mandei um sms pro meu chefe avisando que havia voltado a me sentir mal, e pra outra professora (a que juntaria as turmas e daria aula pros dela e pros meus) avisando-a que eu ainda estava doente. Pouco depois ela me liga... ser humano sem nenhuma noção... Precisava de dica sobre como fazer isso, como fazer aquilo, como escrever esse ensaio, como lidar com esses alunos... Eu respondi tudo. Andy ficou impressionadíssimo com minha capacidade de me engajar numa conversa àquela hora da manhã e naquele estado... Depois viramos pro lado e dormimos mais...
Acordamos mais cedo na terça-feira, chá, água, música e banho... Andy me arrastou pra fora do quarto, ele estava começando a achar que na verdade eu gostava mesmo era da cama e do quarto dele e não dele... Ficamos no jardim no fundo da casa, ainda dava pra ouvir música, ficar sentados E curtir um sol... Estava um dia frio e lindo... Me ofereci pra sair e comprar algo pra gente comer, Andy já o tinha feito enquanto eu tomava banho, foi preparar Dumplings pra gente. Comemos terminando de assistir o filme da noite anterior...
Enquanto eu tentava lavar a louça, Andy me pega e me arrasta... casa afora, banheiro a dentro, me tira a roupa e me enfia no chuveiro com ele... Depois de tudo o que a gente havia feito naquele fim de semana, dizia ele, precisávamos de um banho juntos...
Conversamos muito e demos muita risada também, ele disse e repetiu que precisava me arrumar um namorado, que esse seria o único jeito de a gente parar de fazer essas coisas. Eu tinha que ter um namorado e alguém de quem ele gostasse pra que nós dois tivéssemos juízo e parássemos com isso. Foi então que voltamos a falar do B. Foi então que eu contei pro Andy (coisa que eu também esqueci de contar aqui) que eu mandara uma mensagem pro B no facebook no domingo à noite (já na casa do Andy) meio que chamando-o pra sair e conversar essa semana, mensagem que B. respondera positivamente, sugerindo levar o Andy... Confesso que fiquei desapontada com essa parte quando vi a mensagem, mas considerando que B. havia sugerido levar Andy, pedi pra que ele fosse... Andy topou... "Whatever you want..."
Pós-banho, pós-conversa sobre B., achei que era hora de ir embora, era quase 5 da tarde e enquanto eu ficasse na casa dele não conseguiria fazer o trabalho que eu tinha que fazer. Caminhamos juntos até a estação de trem, Andy voltou a me agradecer por outras "cositas", nos despedimos e voltei pra casa...
Cheguei em casa, corrigi ensaios, conversei por hoooooooooooooooooooooooooras no telefone, e fui dormir. Percebi uma ligação perdida, só no dia seguinte percebi que tinha sido do Andy...
Foi um fim de semana e tanto... Gostei muito de estar com ele, muito, muito mesmo. É incrível estar ao lado de alguém de quem você quer estar do lado... E foi assim pelo fim de semana todo. Algumas coisas que eu ouvi me assustaram, não vou negar... coisas como "Você é a pessoa perfeita pra minha vida, na hora errada...", "Se eu não tivesse uma namorada, você ia ver..." e "A gente vai acabar 'getting into each other's mind'"... e elas não me assustaram por eu estar me apaixonando, sabe? Me assustaram porque estava sendo um fim de semana incrível, eu não queria ser a pessoa perfeita pra vida de ninguém, não queria entrar na cabeça de ninguém... só queria curtir estar com o Andy, não queria ele de namorado, mas queria sim saber que a gente pode repetir a dose...
Voltar pra casa bateu mais forte do que eu pensei que iria... Estar sozinha em casa, fazendo minhas coisas sem interrupção bateu..., mas mais do que isso, chegar no meu quarto, ser relembrada que eu durmo numa beliche e num quarto com outras 3 pessoas e, no entanto, numa cama sozinha numa noite de muito friiiiiiiiiiio me fez sentir saudade sim... Me fez pensar no quão inevitável sempre é "get into each other's mind somehow..."
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