Monday, June 13, 2011

That little competition

A última sexta-feira foi o dia que B.,  Andy e eu tínhamos combinado de irmos jantar...

Na hora do almoço, Andy me manda um sms sugerindo que levássemos B. no bar do lado de casa e apresentássemos os flatliners a ele...

Horas mais tarde, Andy me liga de novo, liga pra dizer que me ama, e que eu sou a pessoa mais especial que já apareceu na vida dele, me diz que o resto do mundo todo não importa... e que ele só ligou pra me dizer coisas fofas no telefone... Depois diz que vai parar com isso e me avisa que na verdade encontraremos o B. na casa dele (do Andy), que eles farão música por lá um pouco e depois sairemos pra jantar...

Uns 10 minutos depois, outra ligação, mais uma mudança de planos... Aparentemente essas pessoas chamaram o Andy pra discotecar num pub na cidade, vamos todos pra lá e depois saimos pra jantar. Eu ainda brinco "Você não tem a menor ideia do que está fazendo, né?" Depois percebo que estou pegando pesado e que Andy está neeeeeeeedy, digo que vou onde ele quiser que eu vá... ele me pede pra ligar pro B. e avisá-lo. Tento, sem sucesso...

Andy me liga uma meia hora depois novamente... dizendo que não consegue nem pegar um táxi, que ninguém pára pra ele, que ninguém liga pra ele. Eu repito que eu paro, ligo, me importo, que o amo... e que estou indo pra um pub que eu não sei nem onde fica (o que em se tratando de mim significa que eu provavelmente vou me perder) porque ele vai estar lá e isso é importante pra mim... Ele se acalma...

Me liga de novo, conseguira falar com B. ambos iam se encontrar e me esperar na estação de trem ou no pub... B. me liga pouco depois, me perguntando onde eu estava e querendo saber se eu iria encontrá-los no pub, se eu sabia onde era e tal (aparentemente Andy não havia contado pra ele que a gente conversara... O que, nesse momento, eu interpretara como sendo Andy querendo que B. conversasse comigo. It sooooooo wasn't that...)

Eu estava saindo de casa quando Andy me liga de novo, perguntando onde eu estava e dizendo que se eu não chegasse em breve ele e B. virariam homosexuais, eu pedi que eles esperassem por mim =) Peguei meu telfone e liguei pro Brasil, atravessei o centro da cidade pra chegar no bar onde eles estavam,  quando cheguei, desliguei o telefone e percebi uma ligação perdida do Andy, ligo pro B. e descubro que eles saíraam do pub e estão no bar do lado da minha casa. B. (fooooooooooooofo) pede pra eu vir andando e diz que vai se encontrar comigo no caminho, o que eles de fato fazem...

Encontro os dois, B. (fofo), Andy (weird...), a discotecagem no bar não rolou, B. e eu começamos a conversar e a andar "side by side" na rua... Olho pra trás e vejo Andy reclamando dos aparelhos pesados que ele está carregando. "Deixa eu te ajudar?" "Não... só não me deixa pra trás..." Eu respiro... percebo que há muito mais coisa nessa frase do que os aparelhos pesados, muito mais do que o álcool a mais que ele bebera, muito mais do que B. deveria saber... Digo que a gente não vai mais deixá-lo pra trás, enrosco meu braço direito no esquerdo dele, e o meu esquerdo no braço direito do B. (claro, que eu também não sou besta!) e caminhamos, "like a team"...

Andamos mais um pouco e B. pede pra gente esperar enquanto ele vai ao banheiro. Sozinha com Andy, pergunto se ele está bem. Ele me responde "You don't want to get in there..." Me assusto, repito a pergunta... Ele pede pra que eu olhe bem nos olhos dele, eu olho... aqueles olhos claros, grandes, wide open, olhando pra mim. Tento, em vão, decifrá-los... Pergunto mais uma vez se está tudo bem... Ele olha pra mim e diz que o mundo inteiro poderia acabar, que só existe eu, que só eu importo, mais nada, nada, nada...

Digo pra ele que vai ficar tudo bem e peço pra dar um abraço. Confesso que estava quase tão confusa quanto ele, mas queria colocar a cabeça dele em ordem, fazer tudo se acertar antes que B. voltasse do banheiro... Não me arrependi do que havíamos feito no fim de semana, me arrependi de ter levado-o pra sair com o B. Não tinha nenhuma chance de aquilo dar certo, nenhuma... Eu dei um abraço nele e ele quase não me deixou sair do abraço sem lhe dar um beijo na boca... Eu toparia qualquer uma dessas coisas, se o B. não estivesse presente... Essa noite era meu jantar com B., Andy estava de convidado especial.

B. voltou do banheiro, queria levar a gente pra um restaurante japonês, o que eu aceitei de pronto... Prefiro comida japonesa à chinesa... Andy parecia criança falando da China, e da China e da China... B. fofo, querendo agradar a mim e ao Andy (felizmente mais a mim e a ele mesmo, se manteve firme na ideia de ir pro japa). Andy não queria mais meu braço enroscado no dele, disse que eu o estava arrastando pelas ruas, queria andar de mão dada... e assim eu o fiz por algum tempo.

Chegamos no restaurante, super tudo de bom, menu interativo na parede, vc vê a comida, faz o pedido, os garçons só entregam, Andy não parava de falar (tudo bem, isso é característica dele mesmo sóbrio), mas era mais do que de costume... Estava claro, evidente... que tinha uma disputa entre ele e o B. acontecendo... E o fofo do B. não estava entendendo PN, ele mal sabia como reagir, B (muito mais fofo, lindo e inteligente do que o neo-zelandês) parece não perceber que ele é tudo isso e mais um pouco... Felizmente não percebeu a tensão que o Andy estava por causa dele, nem a tensão por conta do que havia acontecido entre a gente no fim de semana... Pro B. parecia que era tudo por conta de umas doses a mais de álcool, ótimo!

Eu não conseguia dizer nada, de nem abrir a boca. B. chegou a me perguntar algo uma ou duas vezes... nem consegui responder. Andy desatava a falar, e falar e falar... Ele saiu uma ou duas vezes pra fumar, B. e eu conseguimos conversar, então... Na última vez, ele voltou, sentou do meu lado da mesa, tentou interromper a conversa, eu bati o pé, terminei de dizer o que eu tinha a dizer... Pouco depois ele saiu de novo, voltou e disse "Bye", B. disse que já iríamos também, me perguntou se eu também queria ir, eu deixei por conta dele... Ele topou ir, depois mencionou que o trem ia demorar um pouco pra passar... Aí eu intervim e disse pra ficarmos então, terminarmos a conversa e depois iríamos... Foi o que fizemos...

Ele é um fofo (caso eu ainda não tenha dito isso), conversamos sobre idealismo, ensino, sobre viajar, sobre a América Latina, pobreza, determinismo, mudanças radicais na vida... tudo em uns 15 ou 20 minutos antes de irmos embora. Ele, fofo, pagou a conta sem me deixar dividir... Andamos parte do caminho juntos, depois ele pegou o próprio rumo pra tomar o trem e eu fui pra casa...

Liguei pro Andy imediatamente ao me despedir do B., e ele quase parecia normal, quase... Fazendo gracinha sobre hard hot sex que eu estaria tendo com B., sobre como B. é o tipo de cara com quem eu devo sair -e não S.- mas.... sobre como sair com alguém tão incrível como B. acabara zoando com a cabeça dele e que ele teve que ir embora porque não estava conseguindo lidar com isso. E que se eu um dia saísse com uma amiga que é tão fodástica quanto o B. que eu entenderia...

Sei lá... Minhas amigas são foda!!!!! São gente muito, muito inteligente... e no entanto, eu nunca me senti "ameaçada" por elas, ou intimidadas... Nunca... E todo esse comentário fazia ainda menos sentido vindo da pessoa que dizia querer me "arrumar" o B. de namorado...

A conversa com Andy foi estranha no telefone... Quando liguei pra ele ao chegar em casa, o que eu queria mesmo era entrar num táxi e ir até a casa dele pra gente ter uma conversa séria e se entender... Eu não gostei da pessoa que ele podia ser naquela sexta... por mim (e pelo jantar e pela conversa com B? sim...), mas mais por ele... Eu não gostei de vê-lo daquele jeito, tropeçando na escada do restaurante, e confuso e inseguro, e todo o contrário da pessoa que eu adoro...

Não entrei num táxi, nem fui à casa dele, nos falamos por 30 segundos depois que eu cheguei em casa, repeti que eu estava ligando pra saber se estava tudo bem, ele friamente respondeu que tinha algo que ele precisava fazer longe do telefone e que não poderia continuar aquela conversa. Me despedi e desejei boa noite... Fiquei quieitinha, pensando por horas e horas e horas...

A conversa com B. foi o papo de amigos, que não me deixou muito animada sobre o que poderia sair disso... A com o Andy foi confusa e me deixou com uma pontinha de dúvida se tudo não tinha sido um grande erro... afinal o motivo pelo qual eu respeitara os limites do Andy desde sempre era o meu medo que ele não lidasse bem com a gente expandindo os limites da amizade


 
 

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