Se meu fim de semana anterior tinha sido cheio de coisas acontecendo, esse foi o do tempo pra parar e pensar em tudo...
E essa é uma daquelas facas de dois gumes de se estar longe de tudo o que você conhece e é seguro... Por um lado você tem todo o tempo do mundo pra se (re)avaliar e pode decidir no que pensar, em como e por quanto tempo fazê-lo... Por outro lado você tem todo o tempo do mundo E só o próprio juízo (?) pra confiar...
Senti muita falta dos meus amigos, muuuuuuita mesmo... Escrevi coisas no blog, escrevi e-mails, fiz ligações... me conectei a eles da forma que dava porque precisava, mas queria mesmo um café e um lanche na Bella Paulista, uma pizza com Guaraná, uma cerveja na Vila Madalena, um açaí... Com os amigos aqui não dava pra falar... o Andy (pelos motivos óbvios), a coreana fofa que mora comigo porque apesar de ser queriiiiiida, tem vários issues culturais que impedem de nos entendermos mesmo...
No sábado à noite, Andy me ligou. Havia ligado pra B. também, queria pedir desculpas pela sexta... Respirei aliviada, mas só até ele dizer que as desculpas eram por ter deixado a gente e ido embora no meio da noite... Nenhuma palavra foi dita sobre todos os outros acontecimentos da noite...
A conversa teve a leveza dos papos que a gente sempre teve, mas porque eu me fiz de burra, resolvi acreditar nas "verdades" que o Andy criou pra mim ou pra ele mesmo...
Ele me disse que o B. tinha zuado com a cabeça dele, tanto... tanto que durante a semana ele (Andy) teve uma conversa com a namorada (que viria pra cá em menos de dois meses pra morar com ele) e disse pra ela não vir. Ele disse a ela que ele tem que ir pra China, dar aulas de inglês e depois pra Europa viver um tempo... E que se ela quisesse esperar: ótimo, caso contrário eles poderiam terminar...
A pergunta que não queria calar era: "Como é que B. fez isso com a cabeça dele, antes mesmo de a gente sair pra jantar na sexta? Não teriam sido outros acontecimentos e outra pessoa a causar essa reação?" Queridos amigos, não me interpretem mal... por mais egocêntrica que eu possa ser, e por mais que eu goste de me sentir importante na vida das pessoas... tem um limite pra isso. Eu não quero, nunca quis que Andy terminasse com a namorada, qualquer reação nesse sentido não era parte dos planos, nunca foi.
Pra meu alívio, ela não terminou com ele... disse que ia esperá-lo, pra ele fazer o que achava melhor desde que desse um pouco mais de atenção a ela. Fiquei com pena da moça, fiquei com pena dele, fiquei com pena de mim. Achei que tinha sido tudo um grande erro, e acho ainda que Andy tem um ego grande demais pra sequer admitir as coisas que ele me disse naquela sexta-feira... Ele consegue admitir que B. mexeu com a cabeça dele, talvez seja mais fácil assim, talves seja até melhor pra gente voltar a ser amigo.
Na sequência dessa conversa ele disse que a gente é ótimo juntos, mas que a gente não deve repetir a dose, que a gente não deve mais fazer nada, a não ser com o B. junto. Eu quase tive um surto, né? Se a sexta-feira foi traumática como foi com a gente jantando... imagina eu, ele e B. juntos na cama? Andy morre, né?! E foi esse comentário que me deu a sensação de que ele está tentando muito, talvez pra ele mesmo, mostrar que tudo está "cool"....
Mas foi essa conversa que me deixou triste, que me deu a sensação de que nem mesmo os mais malucos conseguem entender a forma que meus pensamentos se organizam e me levou a escrever esse post aqui. A sensação ainda não passou, acho que só voltei a aprender a viver com ela de novo, a entender que eu sou assim mesmo, e que a escolha é entre estar sozinha mas sincera comigo ou ao lado das pessoas lutando pra fazer as coisas do jeito delas e passando por cima de mim...
Infelizmente as coisas não são tão "preto no branco" como podem parecer, e eu vivo mesmo obrigada a estar numa zona cinza...
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