Bom, diferente dos itens do post anterior, esse daqui eu sei que só tem uma chance de ser escrito e é agora...
Tem meses que a TPM passa por mim e que eu, psicologicamente, mal reparo na sua existência, e tem meses como esse. Nunca consegui descobrir o que de fato separa um grupo do outro. As vezes penso que são os eventos exteriores que me encontram de "campo de força" desarmado e me atingem em cheio, Outras acho que sou eu que olho pros eventos sob uma perspectiva diferente... Como disse, nunca cheguei em conclusão alguma.
Nessa última semana, fiquei realmente preocupada com o (aparentemente inevitável) choque de horário entre a faculdade e meu trabalho. tanto que soube disso na sexta, e não consegui falar com ninguém a respeito até segunda-feira... tive um fim de semana bacana, encontrei pessoas... mas não conseguia falar disso. Faz um ano que eu cheguei aqui, reviver o fantasma de um atrás com eu procurando loucamente por um emprego era assustador demais pra eu pensar, pra compartilhar com alguém...
Fato é que se por um lado eu consegui sim falar sobre isso com algumas pessoas durante a semana, por outro eu sei também que só consigo escrever sobre isso aqui porque sei (?) que as coisas provavelmente vão se acertar sem grandes prejuízos...
Só que na terça-feira eu decidi que precisava dar voz ao descontrole (olha a antítese). Digamos que eu abandonei toda a lógica que eu sabia que devia seguir e agi pura e emocionalmente. Explico-me:
Bateu forte na terça-feira a sensação de que minha vida não é o Show de Truman, e que nem tudo gira ao redor do meu umbigo. E dessa vez não foi por conta do conflito trabalho - faculdade aqui não, foi uma coisa Brasil...
Por um motivo besta, tão besta que nem vale a pena ser mencionado aqui, eu percebi que a vida no Brasil continua... que eu não pude apertar "pause" na vida das pessoas todas lá e que não é só soltar quando eu voltar como a gente faz quando vai ao banheiro no meio de um DVD... A vida no Brasil continua, e assim como eu tenho um milhão de histórias vividas aqui que não foram fisicamente compartilhadas pelas pessoas que estão lá, essas pessoas também têm uma vida TODA acontecendo e que eu não compartilho na mesma intensidade.
E não era uma percepção de tristeza porque eu não consigo falar com as pessoas no Brasil com a frequência que as vezes eu gostaria, não MESMO. Eu sei que EU escolhi vir pra cá, e que essas pessoas têm uma vida que exige horários, compromissos, assim como eu aqui. A tristeza bateu pela minha impossibilidade de compartilhar dessa vida, e teria batido mesmo que eu pudesse falar com elas todos os dias. Era uma tristeza de não viver experiências! É isso...
E daí, quando não cabia mais em mim essa tristeza, eu chamei uma das coreanas (que assiste Gossip Girl) e despejei todo esse parágrafo acima nela. Chorei como eu não chorava há meses... e falei, falei, falei... Não posso classificar essa "interação" como conversa, não foi. E não foi por falta de vontade da pobre... foi porque não dava.
O mais curioso é que o "monólogo" estabalecido com ela não me deixou mais triste... Eu sabia que seria um monólogo, não comecei a falar porque acreditasse que ela iria entender, comecei porque eu (egoísta pra KCT) precisava falar, eu precisava chorar... precisava expressar pra mim o que estava se passando.
Me fez bem, a coreana se esforçou, tentou mesmo me entender, falou algumas coisas... Quando terminamos, eu saí do quarto e fui ver meu computador, tinha uma mensagem no facebook que me mostrava que eu podia até não conseguir dialogar com a pessoa no mesmo quarto, mas que em silêncio podia estabelecer verdadeiros diálogos transatlânticos... Foi de dar arrepio.
Minutos depois, consegui conversar (ainda através do Atlântico) mas não mais em silêncio com uma das poucas pessoas a quem eu posso chamar de amiga... Falei sobre o conflito faculdade - emprego, mas não sobre as lágrimas derramadas minutos antes, simplesmente porque eu achei que não precisava mais. Já tinha chorado, purgado aquele sentimento, estava leve, bem, segura de que tudo ficará bem (ao menos pelos próximos 28 dias!)
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