Mais uma semana de mil quinhentas e trinta coisas acontecendo. Escolho falar daquela que mais me fez parar e pensar em tudo... Tenha isso sido por conta da experiência em si, ou por conta do tanto de gim com limão que eu tomei...
Um amigo daqui havia me chamado durante a semana pra ir ver um amigo dele tocar no sábado, fato é que tendo ficado sabendo do lugar e da hora 20 minutos antes do show começar perdemos a banda do tal amigo. Assim sendo, meu amigo ainda me alertou sobre o custo pra entrar na tal da balada antes que eu chegasse lá e que entenderia se eu não quisesse ir. Eu, que tinha resolvido andar até o pub, topei ir assim mesmo, e foi por conta disso que acabei conhecendo "Mental as anything" .
Antes dessa banda começar estavam meu amigo e o amigo cujo show a gente perdera tentando me explicar que tipo de banda era "Mental", a única coisa que eles conseguiram me dizer era que o vocalista tinha uma cara "plástica". No momento em que eles pisaram no palco, eu sabia quem era o vocalista. A banda parecia pra mim um "Demônios da Garoa" do Rock... Na estrada há muitos e muitos anos, aqueles tiozinhos de cabelo branco, humor ácido e um olhar que te enxerga lá no fundo, revela muita coisa e esconde mais ainda...
Comecei a noite com uma saudade apertaaaaaada dos meus amigos, talvez porque esse meu amigo e o amigo dele se vejam a cada 3 meses, segundo os mesmos... Lembrei-me de muita gente no Brasil que eu não vejo com muita frequência, deu uma pontinha de tristeza e daí a banda começou. Tive que tomar uma escolha consciente (e eu tinha bebido duas cervejas até então, de modo que a escolha foi consciente meeesmo), pensaria nas pessoas no Brasil, nos meus amigos de lá e ficaria triste ou curtiria a vida que eu escolhi ter aqui, a balada, a banda, o show e os amigos aqui.
E foi o que eu fiz. Curti o show, dancei, cantei, bebi, pensei... Fiz as coisas que eu sempre faço quando saio pra me divertir. Me deu uma pontinha de vontade de correr pra casa, sentar e escrever um conto (não que eu tivesse a menor noção do que iria escrever), queria algo que fosse completamente não auto-biográfico...
Curti muito a banda, muito mesmo. E, pasmem, eu até conhecia uma das músicas deles, não sei se de tocar na rádio aqui ou no Brasil, arriscaria que é do Brasil, mas não tenho ceerteza, Let's live it up. E ouvi uma outra ótima quando cheguei em casa: "If you leave me, can I come too?"
Saímos assim que a banda terminou, tentamos beber alguma coisa por perto, andamos, andamos e desistimos... Tomamos um táxi até Newtown, uma espécie de "Butantã - Vila Madalena" que tem em Sydney. Uma vizinhança cheia de estudantes da duas maiores universidades da cidade, que tem uma vida cultural ímpar com os melhores sebos, os melhores cinemas e claro... os botecos que não fecham nunca...
Fomos parar num pub onde tomamos mais uns gins, depois de sermos negados a possibilidade de um shot de tequila (No shots after midnight). Me fez lembrar a padoca 24 horas da Cardeal que vendia cigarros, mas só no caixa (não nas mesas) e parava de vender cerveja até às 6 da matina. Mas foi uma lembrança com humor, sem tristeza ou melancolia. Conversamos muuuuito sobre música, fiquei pensando em como o conceito de harmonia me lembrava o de paradigma (ou de sintagma) em linguística.
Estava tarde quando saímos de lá, e como meu amigo mora em Newtown acabei indo dormir na casa dele. E dormir, mesmo... Daquele jeito que você só faz com gente que você conhece muito bem e que sabe que não vai ser "estranho", sabe? De pegar um pijama emprestado, tentar assistir algo no computador e dormiiiiiiiiiir. Acordamos, tomamos café e, de quebra, eu ainda ganhei um banho quente (o que considerando que "o sistema de água quente" do apartamento onde eu moro havia sido interrompido no meio da semana anterior) foi a cereja do bolo no meu fim de semana.
Saí de lá disposta a ir pra casa, quando me lembrei que a mocinha da Indonésia mora também em Newtown e deveria estar voltando pro país dela nos próximos dias. Liguei pra ela, encontrei-a em casa e resolvi passar pra falar um "Oi", acabamos indo tomar um café no melhor lugar de chocolate da cidade! Conversamos bastante, rimos e como ela resolveu que viria até o centro da cidade, fizemos o caminho até aqui andando e contando histórias por uns bons 50 minutos...
Cheguei em casa 20 horas depois de ter saído, com uma sensação boa de que tinha vivido um daqueles dias em que a gente faz uma porção de grandes pequenas coisas que ficam na cabeça por longos e longos anos...
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