Monday, September 13, 2010

Política e Ignorância

Comecei o dia hoje descobrindo que não vou poder votar, que tinha que ter transferido meu título pra cá antes de 05 / 05.

Tudo bem que eu contei muito com a sorte (meu título nem chegou aqui ainda), foi ingenuidade pensar que seria só chegar na embaixada no dia da eleição com meu título, um documento com foto e votar... Mas foi mesmo? Não seria tão mais fácil e simples? Penso que o mundo é por vezes uma grande "Sessão de Alunos da Letras", e vejo as pessoas numa reunião se organizando e arquitetando o jeito mais difícil e complicado de fazer alguma coisa. Como (não) votar no exterior deve ter sido decidido assim...

Tive que ser condescendente comigo, no começo de maio tinha tanta coisa acontecendo: emprego, apartamento, carro... me pergunto se ter essa informação naquele momento teria mudado alguma coisa, não sei...

Percebo também que sei bem menos sobre essa eleição do que eu gostaria, sei de toda a bobagem do PiG, leio os blogs, consigo odiar os tucanos mais ainda do que eu supunha ser capaz, mas me vejo por vezes caindo na armadilha fácil do anti-tucanato. Sei do óbvio, mas não posso dizer que tenha lido e discutido o programa do Plínio. Sinto falta da presença física das pessoas com quem essa discussão aconteceria, mas sei que isso não é desculpa pra eu não ler... Talvez seja melhor mesmo que eu não vote.

Deixo isso tudo "num canto da vida" e vou pra aula, tenho um aluno russo, uns vietnamitas, uns chineses... Lembro-me de algo que ouvi nesse fim de semana: "Nossa, agora dá pra fazer a revolução" e me sinto, de novo, pequena, ignorante e incapaz... Eu certamente nunca tive tamanha consciência da minha ignorância sobre o mundo, nunca imaginei que os ingleses fossem passear no Vietnam, que os russos possam achar um país como a Austrália aberto demais a outras culturas e que portanto prefiram a Europa, poucas vezes me choquei tanto sobre os rumos que a História pode tomar...

Apesar do tom generalista e melancólico do último parágrafo, ele não é (independente do que diga a análise do discurso) isso... Não penso que tenha visto tudo sobre o mundo, que as ilusões estejam todas perdidas e que o mundo, os russos, eu sejam(os) assim... É como se esse mundo estivesse aí, aqui o tempo todo, mas eu tivesse sempre usado os óculos errados pra vê-lo. Agora? Vai levar um tempo pra acostumar com as lentes de contato...


"Eu já estou com o pé na estrada, qualquer dia a gente se vê, sei que nada será como antes, amanhã..."    

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