Saturday, May 5, 2012

Retrospectiva 28



Sinto-me como se fosse noite de ano novo,

talvez porque há anos desejo Feliz Ano Novo às pessoas no dia dos seus aniversários, acreditando realmente que um ano inteiro novinho em folha comece nesse dia,

talvez porque eu tenha ganhado a Lua Cheia de presente esse ano e a convivência com os chineses me ensinou que novos períodos começam de acordo com a Lua,

ou talvez porque tanta coisa maluca, (bad mad, mind you) tenha acontecido que a parte Pollyanna de mim espera que 2012 não tenha começado ainda, que tudo se inicie amanhã.

Ha! É, possivelmente, a única coisa que o meu lado sensato pode pensar em dizer em resposta à tanta esperança.

Os últimos tempos, sombrios e dialéticos de uma maneira pra lá dos limites do verossímil, têm me mantido bem longe do blog, longe de pessoas queridas aqui, longe de amigos da terra de lá, longe...

Os últimos dias, como em geral acontece às vésperas de meu aniversário, têm sido de muita reflexão, planos pro futuro são algo que eu não me atrevo muito a fazer (não porque eu não tenha o futuro em mente, mas porque as constantes modificações e frustrações me tiraram a necessidade de decidir se esses planos são pra daqui a 2, 5 ou 10 anos), prefiro então me “regozijar” com as realizações e decisões importantes tomadas nos últimos 366 dias, transformo assim esse post na minha versão pessoal (aren't we all super stars?) daquele programa global, tão superficial quanto “batido” “Restrospectiva blá blá blá...”

Esse último ano, me viu mudar-me do Korean Hell pra uma casa na praia, ou um quarto numa casa na praia, praia que me viu ler, sonhar, dormir, acordar, chorar...

Me viu ter terminar meu mestrado, resolver começar um doutorado, depois outro mestrado, depois abandonar os dois e ir-me embora pra Pasárgada...

Ano no qual eu fui pra Pasárgada, ri... chorei (as usual), fui lembrada que a saudade é um monstro que não se mata, mas se alimenta de uma forma meio sinistra quando a gente tenta matá-la; fui lembrada que o Brasil é um lugar incrível que vai estar sempre num “soft spot” do meu coração, mas que nunca me senti mais ou menos em casa lá do que aqui, ou do que, provavelmente, em qualquer outro lugar do mundo; lembrada de que a minha família será sempre, sempre, a minha família (com a doçura e o peso que... well...)

Ano que eu fiz questão de encerrar “throwing away all the garbage that has been in the attic for years, and I mean years....”. Há anos, deixei pessoas e coisas adquirirem um significado enorme; há quase a mesma quantidade de anos luto pra retirá-las da minha vida, pra diminuir sua importância... Uma parte de mim sempre achou uma bobagem tremenda essa coisa de “quero riscar fulano da minha vida”. Sendo extremamente clichê aqui, acho que todas as pessoas nos proporcionam uma experiência e formam a nossa personalidade de algum modo, negá-las é mais do que uma crueldade com elas, é uma crueldade com a gente mesmo. Curiosamente, esse ano, eu senti que minha capacidade de me distrair com essas experiências passadas estava além do limite do saudável, que estava me impedindo de “Move the fuck on!”, daí eu fiz a limpeza no sótão (aka social networkS) e excluí formalmente gente que já havia deixado de fazer parte da minha vida anyway, fiz o funeral delas (sem que as próprias soubessem, “or even cared to know”)

Ano que eu encerro recuperando uma leveza perdida há meses, uma vontade de dançar na rua, de rir à toa, de dar “Bom Dia” a um estranho na rua...

Uma vontade de terminar “Projetos Intermináveis” que eu comecei, como ler “Guerra e Paz” e montar um quebra-cabeças de 8.000 peças,

Uma vontade de achar que os últimos meses e toda a “hardship” que eles trouxeram foram só uma “exceção à regra” e de que não há nada de errado em se fazer planos pro futuro, “and hope...”

Encerro usando Mr. Dylan “for my own birthday wishes”...  



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