Sinto-me
como se fosse noite de ano novo,
talvez
porque há anos desejo Feliz Ano Novo às pessoas no dia dos seus
aniversários, acreditando realmente que um ano inteiro novinho em
folha comece nesse dia,
talvez
porque eu tenha ganhado a Lua Cheia de presente esse ano e a
convivência com os chineses me ensinou que novos períodos começam
de acordo com a Lua,
ou
talvez porque tanta coisa maluca, (bad mad, mind you) tenha
acontecido que a parte Pollyanna de mim espera que 2012 não tenha
começado ainda, que tudo se inicie amanhã.
Ha!
É, possivelmente, a única coisa que o meu lado sensato pode pensar
em dizer em resposta à tanta esperança.
Os
últimos tempos, sombrios e dialéticos de uma maneira pra lá dos
limites do verossímil, têm me mantido bem longe do blog, longe de
pessoas queridas aqui, longe de amigos da terra de lá, longe...
Os
últimos dias, como em geral acontece às vésperas de meu
aniversário, têm sido de muita reflexão, planos pro futuro são
algo que eu não me atrevo muito a fazer (não porque eu não tenha o
futuro em mente, mas porque as constantes modificações e
frustrações me tiraram a necessidade de decidir se esses planos são
pra daqui a 2, 5 ou 10 anos), prefiro então me “regozijar” com
as realizações e decisões importantes tomadas nos últimos 366
dias, transformo assim esse post na minha versão pessoal (aren't we
all super stars?) daquele programa global, tão superficial quanto
“batido” “Restrospectiva blá blá blá...”
Esse
último ano, me viu mudar-me do Korean Hell pra uma casa na praia, ou
um quarto numa casa na praia, praia que me viu ler, sonhar, dormir,
acordar, chorar...
Me
viu ter terminar meu mestrado, resolver começar um doutorado, depois
outro mestrado, depois abandonar os dois e ir-me embora pra
Pasárgada...
Ano
no qual eu fui pra Pasárgada, ri... chorei (as usual), fui lembrada
que a saudade é um monstro que não se mata, mas se alimenta de uma
forma meio sinistra quando a gente tenta matá-la; fui lembrada que o
Brasil é um lugar incrível que vai estar sempre num “soft spot”
do meu coração, mas que nunca me senti mais ou menos em casa lá do
que aqui, ou do que, provavelmente, em qualquer outro lugar do mundo;
lembrada de que a minha família será sempre, sempre, a minha
família (com a doçura e o peso que... well...)
Ano
que eu fiz questão de encerrar “throwing away all the garbage that
has been in the attic for years, and I mean years....”. Há anos,
deixei pessoas e coisas adquirirem um significado enorme; há quase a
mesma quantidade de anos luto pra retirá-las da minha vida, pra
diminuir sua importância... Uma parte de mim sempre achou uma
bobagem tremenda essa coisa de “quero riscar fulano da minha vida”.
Sendo extremamente clichê aqui, acho que todas as pessoas nos
proporcionam uma experiência e formam a nossa personalidade de algum
modo, negá-las é mais do que uma crueldade com elas, é uma
crueldade com a gente mesmo. Curiosamente, esse ano, eu senti que
minha capacidade de me distrair com essas experiências passadas
estava além do limite do saudável, que estava me impedindo de “Move
the fuck on!”, daí eu fiz a limpeza no sótão (aka social
networkS) e excluí formalmente gente que já havia deixado de fazer
parte da minha vida anyway, fiz o funeral delas (sem que as próprias
soubessem, “or even cared to know”)
Ano
que eu encerro recuperando uma leveza perdida há meses, uma vontade
de dançar na rua, de rir à toa, de dar “Bom Dia” a um estranho
na rua...
Uma
vontade de terminar “Projetos Intermináveis” que eu comecei,
como ler “Guerra e Paz” e montar um quebra-cabeças de 8.000
peças,
Uma
vontade de achar que os últimos meses e toda a “hardship” que
eles trouxeram foram só uma “exceção à regra” e de que não
há nada de errado em se fazer planos pro futuro, “and hope...”
Encerro
usando Mr. Dylan “for my own birthday wishes”...
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