Vivemos mesmo em tempos sombrios...
Tempos em que o noticiário leva à depressão mais rapidamente do que um CD da Adriana Calcanhoto ou um filme do Super Cine...
Em que as pessoas não temem mais declarar a sua homofobia, o seu preconceito, a sua ignorância...
Tempos em que os diálogos são mais vazios do que os óculos vazados usados pelas coreanas...
Vivo num mundo em que a solidão é regra, e não se origina no fato de não se estar namorando alguém..
Num mundo em que até mesmo as notícias de que a ditadura em Burma caminha para o seu final me entristecem profundamente...
O sorriso e o olhar de esperança no rosto das pessoas me assusta. Me esforço pra controlar a vontade de ir até elas e gritar-lhes que é tudo em vão, que não importa... que no fim, nada muda... Que a falsa ilusão de liberdade é ainda mais eficaz no processo de fazer com que as pessoas ajam exatamente de acordo com os interesses de seus opressores...
Me distancio por um segundo de tudo e quase solto um sorriso ao observar como as fronteiras, a guerra, a miséria e a opressão são conceitos tão difíceis de se explicar e justificar... Ao pensar que se precisa de um mundo muito muito doente pra se conseguir deitar na cama e dormir. E no entanto, deito e durmo...
Vivo, deito, durmo...
Sinto meu corpo ceder, vejo-o me segurar por semanas... pra depois desabar, implorando de mim uma trégua que a vida desde sempre me nega
As lágrimas e as linhas que caem no papel não trazem o alívio esperado. Apenas ressaltam a beleza triste de um mundo que só te provê com o mínimo necessário pra manter um dedo de sanidade...
Um mundo que é tão vasto quando igual na desigualdade, na capacidade de destruir sonhos e alimentar frustrações
Silêncio, por favor.
Tempos em que o noticiário leva à depressão mais rapidamente do que um CD da Adriana Calcanhoto ou um filme do Super Cine...
Em que as pessoas não temem mais declarar a sua homofobia, o seu preconceito, a sua ignorância...
Tempos em que os diálogos são mais vazios do que os óculos vazados usados pelas coreanas...
Vivo num mundo em que a solidão é regra, e não se origina no fato de não se estar namorando alguém..
Num mundo em que até mesmo as notícias de que a ditadura em Burma caminha para o seu final me entristecem profundamente...
O sorriso e o olhar de esperança no rosto das pessoas me assusta. Me esforço pra controlar a vontade de ir até elas e gritar-lhes que é tudo em vão, que não importa... que no fim, nada muda... Que a falsa ilusão de liberdade é ainda mais eficaz no processo de fazer com que as pessoas ajam exatamente de acordo com os interesses de seus opressores...
Me distancio por um segundo de tudo e quase solto um sorriso ao observar como as fronteiras, a guerra, a miséria e a opressão são conceitos tão difíceis de se explicar e justificar... Ao pensar que se precisa de um mundo muito muito doente pra se conseguir deitar na cama e dormir. E no entanto, deito e durmo...
Vivo, deito, durmo...
Sinto meu corpo ceder, vejo-o me segurar por semanas... pra depois desabar, implorando de mim uma trégua que a vida desde sempre me nega
As lágrimas e as linhas que caem no papel não trazem o alívio esperado. Apenas ressaltam a beleza triste de um mundo que só te provê com o mínimo necessário pra manter um dedo de sanidade...
Um mundo que é tão vasto quando igual na desigualdade, na capacidade de destruir sonhos e alimentar frustrações
Silêncio, por favor.
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