Sunday, May 13, 2012

Bad moon rising...




E assim, meio como quem não quer nada, outro ano se passou e chegou o meu aniversário de novo.

Por mais que a ideia de que a Austrália é o país onde as memórias não têm o peso que a maioria delas têm pra mim no Brasil, a verdade é que (como me lembrou sabiamente um amigo) sendo marxista (Am I?) a memória tem uma posição importantíssima, e ela vai sempre encontrar um jeito de “creep in...”

Meu aniversário de dois anos atrás voltou a me assombrar, o esquecimento, a solidão acompanhada... e dias antes do aniversário esse ano, o fantasma de que os ciclos nos quais a minha vida está presa voltariam a se repetir tb mostrou as caras...

Convidei menos de meia dúzia de pessoas e no fundo me conformei com o fato de que nenhuma delas poderia aparecer, o mais engraçado é que, em retrospecto, vejo que ao convidar cada uma das pessoas já dei a elas uma desculpa perfeita pra que elas não viessem, assim elas nem teriam que se dar ao trabalho de inventar uma ou de se sentir obrigada a vir.

Recebi recados carinhosos, doces e tristes com as suas mais diversas tonalidades pela manhã. Amo meus amigos no Brasil, amo o jeito que cada um tem de dizer que sente minha falta: uns gritam pra que eu volte, outros escolhem o humor, o mais marcante é a capacidade que eles têm de se fazer presente, de provar que a gente cresce e aprende que dá pra brincar de Padre Quevedo e tratar a distância como uma colher de metal, entortando-a ao nosso bel prazer.

Organizei um picnic na praia, consegui um lugar ao sol, era um domingo lindo, lindo. A primeira pessoa a chegar foi a Sharon (minha amiga que morou no Brasil por 2 anos e é mais brasileira que eu em uma série de aspectos: a falta de pontualidade sendo, obviamente, um deles), conversamos, rimos, falamos mal da vida alheia, bebemos... e aí chega a Natalie (a professora que está dividindo a turma de EAP comigo na escola há duas semanas). Parênteses importante: a Natalie e a Sharon se conheciam há mais de um ano. A Natalie inclusive é a pessoa cujo amigo produziu o vídeo da Oxfam (esse aqui) pro qual Sharon e eu fizemos a legenda em português.

Rimos muito das coincidências da vida, conversamos com a leveza de amigos que se conhecem há anos. Bebemos mais, comemos e foi então que a Ingrid chegou (Ingrid, a aluna, vizinha da minha prima que rendeu esse post aqui) com um bolo de cenoura. Cantamos Parabéns a Você (na versão em português mesmo) com direito a Natalie tocando violão e tentando acompanhar o ritmo.

Estava prestes a abrir a garrafa de champagne quando Faderci chega com Leanne (a prima fooooooooofa dele) e de repente todo mundo está conversando com todo mundo como se se conhecessem há uma vida. Ingrid e eu nos falamos um pouco em português (histórias que essas linhas não merecem, e que só duas brasileiras entenderiam...), estourei a champagne, brindamos... e de repente: The super full moon nascendo bem ali, no meio do oceano. Foi um espetáculo à parte, (quer dizer a lua e eu me afundando em lama enquanto tentava caminhar pra um lugar melhor pra tirar foto). Cantamos Credence, Natalie no violão, no vocal também (ainda bem que alguém tinha talento naquele grupo), Ingrid compartilhou umas histórias divertidíssimas, Sharon contribuiu com a “body language”, eu rindo...

Fomos todas, com exceção da Ingrid, pra casa do Fady depois que anoiteceu e o frio ficou insuportável. Fady e Leanne foram no carro da Le, as meninas e eu no caminhão que Natallie tinha alugado pra fazer a mudança pela manhã (coisa que ela acabara não fazendo), tomamos café, conversamos sobre crianças, tombos, a revolução, a inércia política da Austrália, a felicidade que a maioria de nós sente que está numa terra outra: Fady na Espanha, Sharon no Brasil, eu aqui.

Foi uma noite leve, como há semanas, meses talvez eu não tinha. A sensação incrível de que, em pouco mais de dois anos nesse país, eu tinha um grupo de amigos que era ducaralho! Um desejo, que todos compartilhávamos, de que o tempo parasse, de que não ficasse tarde da noite e todos tivéssemos que ir embora pra casa, se preparar pra segunda-feira. Prometemos que esse seria o grupo da Lua Cheia e que faríamos esse encontro todo mês na noite de Lua Cheia “The Full Mooners”

Mais tarde no telefone, Fady comentava que isso devia dizer muito sobre mim, que ser capaz de estar cercada por pessoas que fossem especiais daquele jeito deve dizer algo sobre as pessoas que eu atraio pro meu círculo de amizade. Talvez ele tenha mesmo razão, o fato é que num mundo onde as pessoas se importam tão pouco com as outras, onde amizade significa uma coisa outra qualquer (que eu não entendo, nem faço muita questão de entender), eu entendo cada vez mais a indignação de alguns amigos no Brasil quando eu dizia que não tinha nada que me prendesse lá e que estava disposta a tentar a vida aqui no “Down Under”. Eu devo ser mesmo maluca por abrir mão da companhia de pessoas que me são tão caras... Lunatic!

Domingo, senti muita falta dessas pessoas, senti “saudades” de um futuro no qual elas vão estar aqui num dia de sol na praia... Senti saudades delas... E me senti, ao mesmo tempo, privilegiada por ter, de algum modo, completamente inexplicável pra mim (mas custo a acreditar que casual) amigos tão doces, tão divertidos, tão profundos...

Certza vez, um amigo, que a vida tornou distante, me disse que podemos culpar o acaso pelo encontro de pessoas muito muito especiais nas nossa vidas, mas temos que ter a consciência e a generosidade até de culpar só a nós mesmos por fazer com que essas pessoas fiquem nas nossas vidas. Esse post não pode ser mais nada além de um “Obrigada por estar aí, e por entortar a distância!”


1 comment:

  1. Assim a gente tem que aprender a levitar a colher depois de entorta-la. ai ai.... AMO.

    bjos querida amiga
    Tili

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