Sunday, May 15, 2011

Sobre meninos e meninas...

Eu ando distante desse blog ultimamente por um milhão de motivos, um deles é que eu ando muuuuuuuuuuuuuuuuito verborrágica, então cada post rende páginas e páginas (vide o último), mas tem umas histórias que eu preciso escrever aqui, na tentativa de entendê-las, de explicar-me, de purgar coisas que vão começar a incomodar se eu não exteriorizar de algum modo...

Deixe-me começar pela parte "fofoca" da coisa: a italiana que tem me dado aulas e o neozelandês aparentemente tiveram / têm (?) um affair. Ela me diz que eles são só amigos e tal, embora eu já os tenha visto trocando carinhos no sofá e depois se encaminhando pro quarto... Eu nunca questionei, nunca perguntei... só ouvi o que ela queria contar. A última coisa (pré- meu aniversário) que ela me disse foi que tinha contado a ele do namorado que ela tem na Itália, e depois disso ele não respondia mais sms ou atendia ligações...

Os dois se encontraram na festa aqui no apartamento no dia do meu aniversário e tinha uma certa "tensão" no ar... Quando a gente saiu pra dançar salsa, a italiana não foi e então o neozlandês puxou o assunto "italiana", eu continuei ouvindo, ele me disse várias vezes que talvez não devesse estar me dizendo aquelas coisas, uma vez que eu era amiga dela. Eu disse que não comentaria nada com ela (O que, meu lado fofoqueira tem que admitir, eu não sabia se seria exatamente verdade no dia seguinte rsrsrsrsrsrs) e continuamos a conversa. Chegamos no "La Sita", ele conseguiu fazer com que eu entrasse e todo mundo dançou com todo mundo, ele me "puxou" pra dançar algumas vezes, demos algumas risadas antes de ele pisar inúmeras vezes no meu pé e se desculpar por ser "branco"...

Parte fofoca encerrada, vamos ao momento "papo cabeça": No caminho pra casa, voltamos a conversar e ele me pergunta o porquê de eu não ter um namorado. Eu disse a ele a primeira resposta inteligente que veio na minha cabeça embriagada. Disse que eu não conseguia me apagar a ninguém, que gosto muito de várias pessoas ao mesmo tempo (o que não é exatamente mentira) e que não queria o dilema de ser fiel a outrem ou a mim mesma. Ele "ouviu", disse que era uma resposta complexa (é bom se ter respostas complexas prontas pra quando se está muito bêbada), mas não levou de fato em consideração o que eu disse e respondeu que as mulheres estão sempre a procura do homem perfeito, ou de coisa parecida. Eu me irritei com a presunção e perguntei se ele, por acaso, ouvira o que eu tinha respondido. Ele disse que sim, mas que não sabia direito o que pensar... Me lembrou aqueles críticos de literatura que, não sabendo o que fazer com determinada parte do romance uma vez que essa não se encaixava na interpretação deles, simplesmente ignoravam-na.

Ainda no caminho pra casa, ele mencionou pela décima vez (juro, décima mesmo) um acontecimento com uma mulher que ficou muito ofendida com ele, e que ele não entendia direito porque, já que ele não considerava tão ofensivo assim o que ele fizera. Quando eu perguntei o que raios ele havia feito (em todas as outras 9 vezes) ele prontamente respondeu que não poderia dizer ou eu iria julgá-lo um miscógeno FDP... Eu disse que não ia julgá-lo  blá-blá-blá (e isso era verdade mesmo, não o julgaria por nada que ele tivesse feito), e mesmo assim ele não quis me contar. No caminho de volta, no entanto, eu dei-lhe um ultimato. Ou ele me contava a porra da história direito, como ele faria a um amigo, ou ele fechava o cú e não mencionava mais nada, como ele faria com uma menina.

Parte fofoca back: Daí ele me diz que estava com essa menina na casa dela, com ela chupando o pau dele e ele diz que gostaria de gozar na cara dela. (E a menina se ofendeu, olha que surpresa???????) Não vou discutir o comportamento masculino, nem o da menina em se ofender, porque de fato não me surpreendeu que a menina que ele tinha acabado de conhecer tivesse se ofendido, assim como não me surpreendeu que ele tivesse sugerido isso. Não o achei um filho da puta pelo que ele havia dito, nem nada, sabe? Só ouvi... Se eu resolvi ser antiética a ponto de publicar a história aqui, foi mais pelo que veio depois nessa conversa...

Chegamos em casa e voltamos a beber, os coreanos logo foram dormir e ficamos só os dois enxugando as últimas garrafas de vodka e soju que ainda havia em casa e conversando... A conversa foi de ele me dizendo sobre o quão exigente a italiana era e como ela não queria nem assumir nada com ele, nem queria que ele tivesse nada com mais ninguém. Deixando ímplico, ou melhor, explícito mesmo, que eles já tinham ido além das carícias no sofá...

Conversa vai, conversa vem, ele me fala de mulheres, de como ele sempre se preocupa com todas as mulheres que ele conhece porque no fundo ele quer ir pra cama com todas elas. Eu tento criar a situação na qual ele não estivesse fisicamente atraído por uma menina só pra ver se ele seria capaz de se preocupar com ela de qualquer modo... ele é incapaz de não estar fisicamente atraído por uma mulher, minha teoria não consegue o material necessário.

Em determinado momento (eu e a minha mania de ter conversas sérias....) começamos a discutir política e sociedade. De repente, eu estava com vontade de vomitar... Ele se provou um ranzinza (sim, disso eu já sabia), descrente do mundo e extremamente cheio de pré-conceitos. Me mandou parar de falar bobagens quando eu comecei a tentar explicar que o mundo não é socialmente o que a Austrália e a Nova Zelândia são... E que é impossível ignorar diferenças socias num país como o Brasil... Na sequência me disse que eu era muito "privilegiada" pra dizer qualquer coisa.

Pra mim "that was just IT!", eu não nego que seja mesmo um tanto privilegiada, se eu fosse o medigo na calçada do Pão de Açúcar eu nunca estaria na Austrália, agora dito isso... Um babaca que não me conhece, que não sabe porra nenhuma da minha vida no Brasil ou aqui... não tem direito de vir falar porra nenhuma.

E de repente, ou melhor no dia seguinte quando eu já tinha recuperado minha capacidade de reflexão, tudo fez sentido, é claaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaro que alguém que não ia me contar que coisa "horrível" ele havia dito à moça pra que eu não fosse julgá-lo não poderia fazer nada de diferente a não ser me julgar por eu não estar a procura do meu príncipe ou por eu ser uma "privilegiada" inocente capaz de acreditar que uma outra organização social é possível.

Fui dormir pouco depois de a conversa ter chegado nesse impasse em que estávamos dois passos pra lá do limite da boa-educação.

No dia seguinte, praticamente acordei com a italiana, e eu não sabia se era possível tentar contar a ela da conversa que a gente tivera durante a noite. Enquanto ela me contava sobre como ele tentara beijá-la (vejam que absurdo!!!) na noite anterior, o telefone dela toca... E a história a seguir é algo que eu ainda não sei explicar...

Ela conversa um pouco e na sequência me solta um "Quem tá falando?" Descobrimos, ela e logo depois eu, que era o Andy (meu "amigo" DJ que mora em Newtown, e virou meu "semi-various-nightstands") que até onde eu sabia  / sei só encontrou a italiana uma vez, quando fomos as duas à festa de aniversário dele. Detalhe é que ele estava em Brisbane esse fim de semana, nem soube do meu aniversário, e obviamente nem me ligou, mas estava ligando pra italiana. Permitam-me o ciúme a cara de (WTH???)? Até porque ela é, aqui, a única pessoa que sabe de quase tudo o que acontece comigo e com o Andy. Meeeeeeedo. Ela fez questão de deixar claro desde o começo da conversa que eu estava do lado e que havia sido meu aniversário e tal...

Eles desligaram e ele me ligou pra desejar Feliz Aniversário atrasado e dizer que assim que ele chegasse em Sydney, marcaríamos de sair, tomar uma cerveja, e que ele queria muito saber dos meus planos, porque eles são muito importantes pra ele e todo aquele blá-blá-blá. Fiquei muito, muito puzzled, mas mantive a classe... Não perguntei absolutamente nada a nenhum dos dois, afinal somos 3 amigos e só isso. Ela ficou toda sem-graça, disse que ele ligara pra pedir as fotos do aniversário dele que ela tirara (sei... sei...)

Fato é que depois desse acontecimento, resolvi que o neozelandês merecia o voto de confiança, que não contaria a ela os detalhes da conversa que eu tive com ele. Não posso dizer que fiquei brava ou mesma chateada com ela, fiquei intrigada, tenho um passado de "amigas" que se mostraram grandes FDPs no quesito: carinhas por quem você está interessada. Achei a história esquisita... sei que a parte "fotos do aniversário" é mentira meeeeesmo, mas aprendi duas coisas: Ter um pé atrás com a italiana gostosinha, e estabelecer uma distância do amigo DJ.

Passamos a semana sem nos falarmos, eu havia sido a última a estabelecer contato com ele, na quarta-feira antes do meu aniversário eu mandara um sms chamando-o pra um happy hour, sms que ele nunca respondeu. Na sexta (mais de uma semana depois), ele manda a mim e a Ferne (aquela amiga gente boníssima que ele tem e que deve ir pra Venezuela até o fim do ano) mandando a gente deixar tudo o que tínhamos planejado pra sexta à noite e nos juntarmos a ele. Pensei muito, muito em ignorar o sms, mas não gosto de fazer isso com ninguém... Respondi que não iria, que estava meio doente e cansada (tudo verdade, mas nada o real motivo pra eu não ir) e não nos falamos desde então...

O foda é que ele é de longe a pessoa mais inteligente que eu conheci nesse país, fica difícil pedir pro meu cérebro abrir mão de witty, witty talks. Também é fato que ele sabe me tratar muito bem e tendo a maior lábia do mundo consegue me dobrar fácil, fácil...


Em outras palavras:

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