Sunday, May 29, 2011

O mundo anda tão complicado...

Pouco mais de uma semana atrás, eu conheci um mocinho...

Mocinho é de uma gentileza imensa da minha parte, S. é 10 anos mais velho do que eu (o que pra quem me conhece não é "um issue"). Fato é que S. é amigo da Ferne (a amiga do Andy que também virou minha amiga) e a gente se conheceu na festa de aniversário dela.

A festa foi bem engraçada, estávamos num barzinho rodeados de gente fazendo "small talk", a própria Ferne mal podia aguentar, saímos de lá e fomos pra casa do Andy, curtir uma festa mesmo. E curtimos: bebemos uma garrafa de tequila (bad bad idea), dançamos com a música que o Andy fazia nuns aparelhos chiquetosos de DJs e demos muita risada. Foi assim que eu conheci S., bêbada..., e foi assim que a gente ficou.

No dia seguinte, eu acordei com aquele feeling de "What the hell?", a gente conversou muito a noite toda, e S. foi fofo demais comigo, a pessoa capaz de dizer todas as coisas que todo mundo quer ouvir, "again and again"...

Mas eu estava confusa (pra diacho!), estava receosa que estivesse com ele pra fazer ciúmes pro Andy (que vive comemorando o fato de que a gente esteja bem "de amigos", o que é "far, far from the truth..."), com medo de ter o "mocinho" super apaixonado por mim enquanto eu sou esse ser estranho que não consegue se ver namorando nem ... (que a vaca tussa), sem querer confundir a cabeça de ninguém, (ciente de que a minha já é confusa demais), e olhando pro S. e achando-o NADA atraente, nadinha mesmo... e me perguntando onde eu estava com a cabeça...

Passamos o dia (os 4) na casa do Andy vendo filmes de ficção científica e curando a pior ressaca que eu tive desde que cheguei aqui, "Down under"... S. queria me levar pra jantar no sábado, me esquivei, acabei ficando na casa do Andy, ele (o Andy) queria conversar comigo, estava / está com umas crises... e a gente se dá muito bem, mesmo. Saímos, bebemos, conversamos e em determinado momento ele me perguntou sobre S.

O foda dessa conversa com o Andy é que eu não consegui admiti-la nem pra mim mesma até hoje, o  domingo seguinte. E escrevo aqui, só pra variar, na tentativa de figurar coisas e me convencer de que elas são verdades... A conversa incluía o Andy me dizendo que achava que eu tinha padrões mais altos (ele tentou ser bonzinho e dizer que o S. era "boa pinta", o que não era verdade nem pra ele, nem pra mim), e que o S. não é exatamente o cara mais "bem sucedido, ambicioso" "ever". Eu não quero entrar nesse mérito aqui, porque vindo do Andy esse foi um comentário elitista tão FDP que eu escolhi ignorar...

Outra parte da conversa foi a gente discutindo o meu "intimacy issue", e como eu gosto de estar em controle... Conversamos sobre como eu escolho ficar com caras com os quais eu não possa namorar mesmo, como eu escolho a pessoa "errada" porque nunca vai acontecer nada sério e esse é um jeito bem "low-profile" de me manter em controle...

No domingo, S. e eu saímos pra jantar, nos encontramos e bebemos num bar em Newtown antes de tentarmos comer alguma coisa, quando finalmente tentamos comer tacos mexicanos, eles só vendiam "take away" e o único lugar no qual poderíamos comer era um parque / cemitério que havia por perto... Foi divertido, tinha um "portal" pelo qual passamos e que me fez me lembrar de uma história bizarra que Idê e eu tínhamos sobre Cutura Inglesa, carros na Faria Lima e um portal...

Voltei pra casa no domingo provavelmente mais confusa do que tinha saído, não sabia exatamente se queria sair com S., topei sem saber ao certo, mas só por falta de um bom motivo pra dizer "não". Eu estava sozinha, tinha tido uma mega crise "Qual o sentido da vida?" menos de uma semana antes, e ter alguém por perto capaz de elogiar cada pedaço de mim, cada fala, cada coisa não era algo do qual eu podia ou queria abrir mão.

Me assustava o fato de ele ter chegado mais de uma hora antes de mim, o fato de ele fazer mil planos sobre lugares aos quais a gente iria juntos e coisas que faríamos, e também me assustava um pouco o fato de ele ter a mais baixa auto-estima que eu já vi. Disse incontáveis vezes que não acreditava que eu estava saindo com ele, que achava que eu iria "dar bolo" e outras coisas assim... O triste é que por mais prazeroso que seja você ouvir alguém te elogiando tanto, se a pessoa diz muitas e muitas vezes que não entende como alguém como você resolve sair com alguém como ele... a dúvida começa a se instalar na sua cabeça também...

A semana correu bem, e na quarta-feira fomos jantar de novo, dessa vez perto da minha casa. Daí os meus "intimacy issues" se agregaram aos meus "public display of love issues" e a combinação ficou perigosíssima... O que nos salvou? O soju e a cerveja que tomei enquanto a gente jantava... Não me orgulho, nem acho justo o que eu fiz, mas a verdade é que tendo bebido um pouquinho a mais, eu conseguia me sentir "interessada" pelo mocinho. Foi assim que fomos parar num bar também perto de casa, tomando mais umas cervejas e tendo umas conversas que os bons modos me impedem de descrever aqui... Foi difícil ir pra casa naquela noite, muito, muito mesmo. Eu tinha trabalho a fazer, deveres por cumprir e me mantive firme e decidida. Combinamos que nos veríamos na sexta-feira à noite...

Cheguei em casa ligada no 220, como diriam uns por aí, não resisti e acabei mandando um sms pra ele, ele respondeu, trocamos umas mensagens e eu resolvi parar de zoar com a cabeça do pobre e ir dormir...

Saímos no sábado... aliás, ele me ligou, me avisou de uma festa na qual a Ferne estaria e que eu certamente iria curtir (Ah, ironia, né?)... eu adoraria ir a uma festa, adoraria encontrar a Ferne lá, só não adoraria estar com ele nessa circunstância... Queria encontrá-lo, no entanto, ver um filme, comer pipoca, qualquer coisa que não envolvesse estar em público... Me esquivei da festa, ele sugeriu vir me buscar e irmos ver um filme e jantar na casa dele, então... Minutos depois Andy me liga, poderia JURAR que ele ia me convidar pra ir à tal festa, não dava... nem atendi.

Encontrei com S. na esquina de casa, com ele me pedindo beijo no meio da rua e eu dizendo que não iria dar, me senti meio FDP demais, um monstro capaz de atitudes que eu sempre criticara nas pessoas. "Como você pode estar com alguém que não tem nem vontade de beijar? Como?" Fomos andando até a casa dele e eu fiz questão de passar em um "bottleshop" e comprar algo pra beber. Sabia que seria o único jeito de eu curtir o jantar, o filme e ele...  

S. mora em um bloco de "house in comission", um esquema de moradia pago pelo governo pra quem não tem grana de comprar a própria casa. Foi me preparando o caminho todo pra um prédio que seria assombroso, pra vizinhos esquisitos e elevadores pixados e sujos de sangue. Pra quem já passou perto de qualquer prédio no centro velho de São Paulo o prédio não tinha nada de assustador demais... o apartamento ficava num andar alto, com uma varanda e uma vista incrível pra cidade. Conversamos um pouco com o chinês assim que chegamos, bebemos vodka com suco de laranja e tentamos ver um filme...

Conversamos muito, S. parecia uma criança de 12 anos com medo de perder o pirulito, juro... De acordar no meio da noite me dizendo que teve um pesadelo no qual eu estava com um ator hollywoodiano (cujo nome é claro eu nem me lembro), me contar sobre a morte do pai, sobre a mãe que o mandou pra um colégio interno pra que ela pudesse "ter uma vida", enquanto eu estava meio acordada, meio zumbi...

Acordei me sentindo meio mal... Com uma pessoa me fazendo "scrambled eggs" e café, me deixando assistir "How I met your mother" e me perguntando sobre histórias da minha vida, quaisquer que eu quisesse contar... E eu, que adoro gente, que adoro ouvir e elogiar coisas das pessoas que estão ao meu redor... eu não conseguia dizer uma palavra pra fazê-lo se sentir bem, uma palavra de interesse, nada...

S. me chamou pra sair e tomar café, dizendo que o café que ele preparara tinha sido horrível (vida em público? No way...) Recusei o café, recusei o convite pra almoçar, recusei a companhia pra casa, mas ele insistiu dizendo que tinha que ir à cidade de qualquer modo, comprar umas coisas numa loja de música... Ele também me acalmou dizendo que não me levaria até em casa se eu não quisesse, que me deixaria na esquina pra que "meus amigos não me vissem com ele..." Eu não pudia negar, negar a frase... tentei, não sei como soou. Me senti mal...

Meio que combinamos que sairíamos pra jantar um dia essa semana, cheap Chinese food... Conversamos bastante o caminho todo, sobre bobagens quaisquer. Fiquei feliz quando a gente se despediu e eu pude caminhar sozinha os últimos quarteirões até minha casa...

Não me arrependo de nada, sabe? Nada mesmo... mas não quero a vida pública com um carinha, não quero um namorado... achei que valia a pena tentar, mas depois desse fim de semana constatei que não quero... Que eu talvez seja a última romântica, e que acho que é crueldade demais querer uma relação casual às escondidas com alguém que quer te levar à festas, te mostrar a cidade e te ensinar a tocar guitarra...

Cheguei em casa decidida a não querer mais nada com o mocinho...  e depois de eu ter sido tão "mean", honestamente não sei nem se o mocinho quer mais alguma coisa comigo... O fato é que apesar de tudo, sinto que ainda não estou pronta pra "call it quits"



      

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