Friday, May 6, 2011

Balanço de aniversário

E não é que meu aniversário chegou de novo?

É incrível a velocidade na qual isso acontece a partir de uma idade nas nossas vidas. Tenho pensado bastante nessa data, nesse post, nos meus amigos, na vida... talvez tenha sido um dos "pré-aniversários" mais reflexivos que eu tive. O que também diz muito sobre a vida aqui: apesar da loucura que está meu trabalho, apesar da pressão da faculdade, tenho pensado muito.

É o segundo aniversário que eu passo aqui, na terra dos cangurus. E, embora o dia não tenha nem começado ainda (ou tecnicamente o tenha há 22 minutos), a comparação com tudo o que acontecia um ano atrás é inevitável.

Na noite que antecedeu meu aniversário ano passado, eu finalmente me mudei da "homestay":

aluguei um carro sem seguro (porque eles não aceitavam dinheiro na locadora e a grana no banco aqui só dava pro carro) dirigi na mão inglesa e quase enfartei, levei 8 multas...

cheguei numa casa que hava acabado de ser dedetizada e estava repleta de baratinhas mortas / e outras ainda bem vivas...

aguentei a primeira noite de frio em Sydney em um colchão a ar que transmitia TODO o frio do chão diretamente pra mim...


E aí acordei, era meu aniversário...

As pessoas mais próximas fisicamente se mostraram tristemente distantes. E eu me mantive "contida, nos trinques..." até receber uma ligação dos meus primos no Brasil que começou com eles cantando Parabéns a Você, me recompus... não queria ter que explicar, não dava.

Daí a Cris me ligou... e eu precisava taaaaaaaaaaaaaanto poder falar, ainda que as vezes eu nem precise, ela sempre entende. Naquele dia eu precisava, era meu jeito de fazer a catarse, de me "grudar" a alguém, de (apesar de ser cliché) encurtar a distância, fazer uma pessoa queria estar tão fisicamente próxima quanto dava. Acho que foi a primeira vez que eu quis taaaaaaaaanto poder passar alguém pelo buraco do telefone, eu precisava tanto daquela menina do lado de cá da linha. Não rolou... mas ela foi naquele dia a pessoa mais próxima de mim, ever... Já a agradeci mil vezes por isso, mas nunca vai ser o suficiente, é como se ela tivesse recebido um "Vale Amizade Eterna" naquele dia, que eu "dei" a ela porque, sabe como é, era um pouquinho aniversário dela também =)

O resto do dia foi aquela loucura pós mudança, arrumar casa, matar baratas, lidar com a ausência dos ausentes e dos presentes também... Não rolou bolo, nem ninguém cantando parabéns. Só mais stress pra devolver o carro, e abastecer, e entrar na rua errada, e fazer conversão proibida, e deixar o carro morrer...

É claro que isso é minha versão bem mais rancorosa daquele dia, depois de um ano passado... Mas é fato que naquele dia mesmo tinha uma alegria imensa de estar saindo da casa da peruana FDP, e mil planos sobre um futuro bacana... que nunca aconteceu. Então só me sobrou a versão rancorosa e triste mesmo...

Acho que nem preciso dizer que com esse tendo sido o panorama aniversário / 2010, o de 2011 promete arrrebentar a boca do balão, né?

Trabalharei pela manhã / começo da tarde, depois volto pra casa, almoço, falo com minha mãe via skype / cam, enrolo um pouco e vou jantar na casa da italiana gente boa do café =) Depois volto pra casa e me reuno com os coreanos, a coreana, o colombiano, possivelmente o neo-zelandês (tão belo quanto ranzinza...), a brasileira (vizinha da minha prima que eu encontrei por acaso meses atrás) e com a italiana que estava / está me dando aulas... Combinamos um "esquenta" com bebidas, e um bolo de frutas preparado pela italiana, a Valéria =) e depois devemos sair pra dançar em algum lugar aqui por perto.

As vezes fico até com um tiquinho de medo de estar criando grandes expectativas pra um aniversário, mas não é isso... A bem da verdade tudo o que eu preciso pra um "Grande Dia" é estar cercada de pessoas com as quais eu me divirto, dou risada, bebo, falo bobagens, e até choro...

E me cai como uma luva, a lição de que, apesar do tanto que eu reclamo sobre o caráter fugaz das relações estabelecidas em Sydney - cidade na qual as pessoas estão, via de regra, de passagem -, são as pessoas das relações fugazes que se mostraram preocupadas, sinceras, atentas o suficiente pra preparar um bolo, dar um cano no trabalho, me levar pra jantar...

Sobre os anos que se passaram, não percebi... Vivo cercada de coreanas e coreanos, eles não me poupam  nunca de comentários sobre como eu estou velha, sobre como eu deveria estar casada e alguns quilos mais magra. (Uma mulher com 25 anos e solteira já é velha pros padrões coreanos, se eu ao menos tivesse planos de voltar logo pro Brasil e juntar dinheiro pro meu casamento, talvez elas me perdoassem, talvez...) E curiosamente, talvez por teimosia pura, talvez por necessidade de sobrevivência mesmo, eu nunca estive melhor sobre completar 28 anos. Não me acho superior ideologicamente ao pensamento deles (embora as vezes me dê nos nervos a necessidade que eles têm de impôr a mim um valor que é da cultura deles), só me sinto bem.

Não sei o que vai ser da minha vida quando eu tiver 30, nem 29, nem mesmo 28 e dois meses... Mas pensando em retrospecto fico muito feliz com as escolhas que eu fiz ao longo desses 28 anos

muito feliz em ter largado um emprego que me consumia, e que em muitos aspectos se assemelhava "À Cooooooisa"

feliz pelos poucos amigos que eu fiz, por alguns deixado nesse percurso, pelos pouquíssimos nutridos e conservados, pelos recuperados...

por ser forte concorrente no concurso "Quem conhece mais gente esquisita no mundo?" nas palavras da Valeria...

pela relação tão mais saudável que venho conseguindo estabelecer com minha família...

por ter conseguido fazer um bom trabalho com meus alunos, por ajudar a fazer a diferença...

por estar terminando meu mestrado daqui um mês e ter um bendito título adicionado a meu nome depois de tanto, tanto esforço, tanta dúvida, tanta lágrima...

Feliz com o que eu fiz do que a vida fez pra mim,

Feliz com o que eu fiz,

Feliz!!


Essa vida é jogo rápido / Para mim ou pra você / Mais um ano que se passa / Eu não sei o que fazer...





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