Monday, January 31, 2011

My will power...

Já disse que eu ando homesick?

Eu tô irritante de tão homesick... Acho que é a época do ano, começo a me lembrar de um ano atrás e dos dias mais malucos que tive no Brasil trabalhando 11 horas por dia até bem pouco antes de viajar... Depois o fim de semana na praia com minha família, o boliche, a noite passada comendo pizza e dançando com meus amigos de trabalho, a outra conversando (e comendo pizza) com outros amigos...

Tudo isso me dá uma saudade apertada... E a homesickness que bateu no Natal acabou ficando e ficando... E aí a inércia reina... Tenho tido menos pique de ir à praia, de sair de casa, principalmente quando isso envolve outras pessoas.

Explico-me (e tento justificar-me também): fui à praia inúmeras vezes sozinha no último mês, mas fugi da ida com as meninas do apartamento... Tudo bem que elas também fugiram de todos os convites que eu fiz, e dias antes de elas irem eu "descobri" que a "boazinha" queria ir na praia comigo porque é suuuuuper complexada com o corpo e como eu estou mais gorda do que ela, ela ficaria bem... (Vá à merda, né?)

Também fugi de todos os últimos encontros dos Marxistas, na verdade a situação está até "chata", porque os caras me ligam, deixam recado, mandam sms... e eu nem respondo. Verdade é que eles andaram meio (leia-se MUITO) paranóicos com o fato de eu me filiar ao grupo e eu acabei me irritando com o nível "chamada oral 4a série" da última reunião que fui sozinha ano passado...

Isso posto (e com a louca da Indonésia nem merecendo comentário) andei bem quieta, reclusa até nesses últimos dias... Sem vontade de "sair e cantar uma bela canção"... Fazendo bem menos dos meus trabalhos do que eu deveria, e obviamente jogando muuuuuuito mais Tetris. (Até fã de tênis eu virei!!!)

Só que no sábado, depois de muuuuuito cú doce, eu saí pra encontrar um amigo aqui, na verdade foi "minha semi-two night stand" do Natal. Ele é de longe a pessoa mais inteligente que eu conheci em Sydney (O que não quer necessariamente dizer muita coisa, eu sei... mas nesse caso diz sim!), dono de um senso de humor incrível e de um inglês que me permite discussões que vão do efeito do jet-lag (e de estar "nowhere in place and time" por um ou dois dias quando a gente viaja pra essa terra "Down Under") até marxismo e o materialismo histórico.

Nos encontramos no sábado, comemos comida mexicana, bebemos cerveja mexicana (!!!), depois fomos pra casa dele e ficamos horas conversando "in the backyard", num jardim e num clima que me lembrava a casa do Idê na Vila Madalena... Aquela casa no meio de prédios, num lugar em que você simplesmente não esperaria, com árvores por todos os lados (e baratas também)...

Em determinado momento, conversamos sobre ficar na Austrália, eu disse (mesmo antes de ele perguntar pq ele tem um quê de auto-centrado - meu carma, I know...) que andava meio homesick, que não saberia dizer o que vou fazer... e ele deu a resposta que eu queria ouvir "Ué, vá lá, fique um mês, mate a saudade"... Há poucas frases mais acertadas do que "A gente não procura o amigo, procura o conselho."

Fato é que ando mesmo com muita saudade do Brasil, saudade dos meus amigos, de pizza, de dançar, de colo da minha mãe, de beijo e abraço dos meus amigos, de toque, de relações de verdade... Mas não é menos verdade que ainda não consigo enxergar minha vida entrando nos eixos de novo no Brasil, não consigo me ver trabalhando, enfrentando trânsito e as coisas do dia-a-dia... ao menos não ainda...

Saí da casa dele e tomei um táxi de volta pra casa, encontrei um taxista fooooooofo que me fez ganhar o fim da noite. Entrei no carro e logo ele puxou papo, conversa vai, conversa vem... ele me pergunta de onde eu sou, respondo e ele emenda "Você parece brasileira", Eu: (puzzled) "Uhm... não sei direito o que isso significa", Ele: (de pronto) "Significa que você é bonita". (!!!!!!!!!!, né?) Eu diria que ele não estava me cantando, que estava sendo simpático, meus amigos me chamariam de ingênua... então vou dizer que continuamos conversando, cheguei em casa, paguei o táxi e foi isso...

Mas encontrar esse meu amigo no sábado acendeu umas luzinhas aqui na minha cabeça... Conversar com gente inteligente faz muuuuuuita diferença pra mim, e eu me fiz o desfavor de encerrar toda a possibilidade de conversar com essas pessoas no mesmo momento em que fiquei homesick. Ele se mudou do apartamento, eu parei de ir no encontro com os marxistas, os coreanos que moram comigo (in their early twenties) assistem Gossip Girl (!!!!!!!!!), eu entrei num limbo intelectual do qual eu parecia / pareço não conseguir sair sozinha...

Hoje, segunda-feira, resolvi lutar um pouco com minha inércia. Cheguei do trabalho, almocei (joguei Tetris, confesso), mas depois peguei um livro que tinha que ler pra faculdade e fui pra Darling Harbour... Tomei sorvete, suco de fruta... ouvi música, curti a torre de Babel que é essa cidade, e até li meu livro!!! O mais bacana mesmo ainda está por vir... criei coragem e liguei pra Gina, a italiana, pedi desculpas pelo sumiço e disse que queria passar na casa pra dizer "oi", e é exatamente isso... O destino funcionou como nos filmes, ela estava em casa, atendeu o telefone e estará na casa dela amanhã depois das 17, então eu devo aparecer por lá!!!!

Eu queria ir na reunião dos marxistas amanhã... é às 19, do outro lado da cidade, acho que não vai dar dessa vez. Mas já estou com um dedinho a mais de vontade de fazê-lo, sabe?

Tem um comercial que passa na TV aqui, incentivando os fumantes a abandonarem o vício, que diz que "will power is like a muscle, the more you exercise it, the stronger it gets..." Essa segunda-feira foi meu dia de começar a ginástica do meu "will power", só espero que ela não acabe na terça!!

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