Terça-feira foi um dia que poderia ser resumido em uma palavra: Equilíbrio
Tanto pro bem, quanto pro mal... e explico porque isso não é um oxímoro.
Logo pela manhã, saindo da estação de trem no centro da cidade pro meu trabalho, levo o maior de todos os empurrões. Juro que eu não precisei nem me dar o trabalho de virar pra ver de quem vinha, o empurrão me rodou 180 graus e tive tempo de ver um sujeito resmugando coisas que deviam ser palavrões.
Prossegui em silêncio, meio transtornada porque a situação havia sido muito, muito inesperada. Parte de mim sentiu que devia ter entrado no caminho daquele sujeito com um tanto de pressa e portanto merecera o empurrão, outra parte ficou assustada pra cacete, e outra ainda indignada com o fato de que ninguém ao meu redor teve qualquer reação, ninguém deu um "chega pra lá" no maluco, nem olhou pra ele... Me senti fazendo teatro do invisível...
Essas três partes tomaram meu pensamento de forma cíclica enquanto eu continuava a andar rumo à escola e paro enfrente à escada rolante. Prestes a subir na escada está um senhorzinho fofo, com cara de vô, sem saber se sobe ou se fica... Parei ao lado e fiquei olhando pra ele, meio que admirada... só olhando até que ele me percebeu. Foi com o olhar mais terno da semana pra mim, que ele pediu desculpas por estar sonhando acordado e pensando na vida... Continuou se desculpando mesmo depois de eu ter subido na escada rolante. E assim, como num passe de mágica, ele equilibrou o meu dia. Ouvi-lo conversando consigo mesmo enquanto eu praticamente termianava de subir a escada rolante foi de me deixar com lágrimas nos olhos...
Já no fim do dia, estava conversando com A. pela internet, quando ele reclama de um cliente mal-educado que ligara pedindo o telefone de outra loja e depois de outra e de outra... no fim, o mal-educado ficou puto porque A. não tinha o telefone e desligou na cara dele. Ele estava muito, muito puto. Eu que, apesar de descrente de tudo, estava convencida de que o universo estava buscando o equilíbrio na terça-feira garanti a A. que logo, logo um cliente muito do bem ligaria, pra balancear tudo. Ele riu... disse que clientes legais nunca ligavam...
E foi aí que eu tive a ideia! Fui ao google brasil, encontrei o telefone da loja dele e arrisquei uma ligação. Ele mesmo atendeu e quase caiu de costas quando eu disse quem era... Quando eu brinquei que se ele não me passasse uns vários telefones, eu desligaria na cara dele, ele respondeu que eu podia desligar, que ele já havia ganhado o dia de qualquer modo. Foi fofo...
Conversamos muito pela Internet ainda, com ele me perguntando se eu queria que ele tivesse um infarto, me chamando de louca e dizendo que pouquíssimas vezes na vida alguém tinha conseguido surpreendê-lo de tal forma...
Eu estava feliz, feliz... e devia ter ido dormir antes que o FDP do universo resolvesse buscar o equilíbrio mais uma vez. Entretanto não o fiz... Procurei e encontrei M. num chat... Ele queria saber quando eu chegava no Brasil, alegou que eu não havia contado a ele.
Um parênteses importante a fazer é que quando eu contei a M. que iria pro Brasil pro Natal, ele disse que estava organizando uma "private party". No entanto, certo como dois e dois são quatro eu resolvi que sem tem uma private party que eu recuso é com ele. Depois de anos, e anos e anos... viagens, proximidades e distâncias (físicas e principalmente emocionais), eu decidi que não vou, não quero, não vou. Não preciso desse doido bagunçando minha cabeça que, finalmente, volta a entrar nos eixos...
Nessa conversa da terça-feira, no entanto, M. me diz que no exato dia que eu saio daqui pro Brasil, ele sai do Brasil pra Austrália, e que fica aqui por 25 dias... Solta um "poxa =(". Eu reagi com a maior atitude de "É mesmo? Couldn't care less...", mas por dentro?? Eu estava "devastated". Havia / Há uma grande possibilidade de ele estar mentindo (brincando como ele diria) = imbecil; ou então é verdade mesmo e ele vem com a namorada ficar aqui os primeiros 25 dias que eu passo longe daqui em quase dois anos = filho da puta.
Então como as duas possibilidades não são lá muito boas, eu resolvi que não quero saber qual das duas é a real... Ele ficou ausente no chat por um tempo, e eu (depois de ter estragado a energia boa que estava rolando com A.) decidi que era hora de dormir... Despedi-me e saí do chat... Horas depois ele tentou conversar comigo, eu já estava dormindo.
Decidi no dia seguinte que não ia dar a ele a chance de me contar que é mentira (se for) rindo da minha cara via chat... Se ele resolver que quer se retratar vai ter que escrever um e-mail. Como ele é meio geek, bloqueá-lo nos chats é dar-lhe importância demais. Resultado? Não entro mais nos chats que eu sei que ele está.
Fui dormir com raiva de mim, com muito, muita raiva. Como é que eu consigo deixar a mesma pessoa ter essa influência toda sobre mim por quase 10 anos?? Como?
Foi só caminhando no dia seguinte que consegui recuperar a sensação de "bem-estar" que eu sentia antes da conversa com M. e pensar friamente sobre como eu gostava muito mais de me sentir querida e cuidada do que de ficar passando raiva decifrando piada de mal-gosto vs pura falta de empatia...
Meu bom senso: 1 X 0 Msn - Google talk
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