Wednesday, August 31, 2011

Consórcio de Tatânico

E dá-lhe mais um longo sumiço desse blog...

Como eu disse certa vez, esse meu diário online só pode exister na terra em que eu estou longe fisicamente dos meus amigos mesmo. Isso porque, no momento em que as coisas apertam mesmo, quando a água bate na bunda... toda a filosofia vai pro ralo e os assuntos ficam sérios demais pra serem escritos aqui.

O último mês e meio foi um período desses. De muita, muita merda que (como eu não vivo numa bolha, embora as vezes possa aparentar) não dizia só respeito a mim, e portanto eu não tinha nem o direito nem muita vontade de escrever aqui.

Foi um período em que eu quis bancar a fênix e morrer um pouco pra ressurgir das cinzas, um momento no qual me vi rodeada da ausência, cercada por "Maluf's", uma fase em que eu consegui ficar quieta, trabalhar muito, dormir, pensar nas coisas, ir pra academia, ficar triste...

A fase passou (ou assim espero) e as coisas desimportantes podem assim ser escritas...

No dia depois de amanhã, Andy embarca pra Taiwan, "de muda" como diriam uns... Eu soube disso 15 dias atrás, no meio de um turbilhão de coisas, e só nos últimos 5 dias foi que a minha ficha começou a cair a esse respeito.

Nosso relacionamento sempre foi cheio de altos e baixos, cheio de eu ficando puta da vida com a forma na qual eu sempre fazia / faço tudo do jeito que ele quer, puta com o jeito que ele consegue "wrap me around his finger", puta com o quanto ele bebe, com o quanto ele fala, puta...

Mas daí é essa pessoa que diz que você é a pessoa mais importante do mundo pra ele, que ele anda pensando muito em vocês namorando, ou ainda que ele se sente até desconfortável com o quão confortável ele fica quando junto a você... E eu resolvo que "whatever", eu precisava ter uma conversa com ele antes de ele ir embora, perguntar o que é que estava acontecendo na cabeça e no coração dele...

Depois eu paro e penso... penso no quanto de verdade, verdade mesmo, eu não gosto do Andy tanto assim. E de que o meu maior medo não era nem ele dizer que não estava nem nunca esteve apaixonado por mim, mas talvez o de que ele dissesse que estava, sabe? Porque seria um "E agora, José?" que eu não estava / estou pronta pra encarar. Até porque eu não gosto dele.

O Andy seria simplesmente o cara errado pra mim, não seria alguém que eu gostaria de apresentar aos meus amigos no Brasil, ou à minha família. Seria alguém que se uma grande amiga apresentasse como namorado, eu diria "Watch out for this guy...", seria o tipo Consórcio de "Tatânico" como meu irmão escrevera num cartão ao meu aniversário de 15 anos remetendo-se a caras que são a maior furada =)

E no entanto, eu saio com ele um fim de semana antes de ele ir embora, e descubro que ele mexe sim, demais comigo... E que talvez, essa seja uma daquelas burrices de se estar apaixonada. O sujeito não é nada daquilo que você procura num cara e mesmo assim lá estou eu, torcendo por coisas que nem me atrevo a escrever aqui...

Na sexta saímos só os dois, ele evitando falar sobre estar indo embora, usando metáforas das mais bizarras pra me confessar o medo e a insegurança sobre a decisão tomada... Na mesma sexta ele me parou na rua, me encostou em um muro, segurou meus braços e me deu o beijo mais inseguro que eu já levei. Beijo acompanhado de um primeiro pedido pra que eu me comportasse e só continuasse caminhando, e de um segundo pra que eu dissesse boas coisas dele à minha mãe...

Ainda nessa sexta, nós dormimos juntos, de conchinha, sentindo a repiração alheia (apesar da proibição expressa da namorada) e eu decidi que não teria a tal da conversa com ele.

Parte de mim precisava / precisa muito do closure, e adoraria ter essa história encerrada. Uma outra parte, a que é imensamente mais covarde, mas também inteligente a ponto de achar justificativas convincentes pra própria covardia, acha que isso deve ser deixado pra lá. A verdade é que Andy está sim muito confuso sobre ir ou não pra Taiwan, e eu não quero exercer influência nenhuma nessa decisão, outra verdade é que a história de "fale bem de mim pra sua mãe" me parece um jeito nada discreto de ele me ter como Plano B, e eu não estou com saco pra esse papel não.

Hoje ao sair da escola, me deparei com a mensagem "Last one out, Lock the door"... "Sorry dude, I'm afraid this one I'll leave open..."

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