Tuesday, October 4, 2011

Sobre amigos e viagens...


Umas semanas atrás, a "coreana boazinha" me contou que queria ir pra Melbourne. Eu me lembrei do feriado prolongado por conta do dia do trabalho e sugeri que a gente viajasse nessa data.

Ela curtiu a ideia e minutos depois veio me dizer que havia convidado também o coreano sujo (o que era meu aluno e só toma banho de duas a três vezes por SEMANA) e a "coreana do mal" que além de ser burra pra caralho é um porre de chata...

Eu resolvi que não comentaria nada sobre as outras pessoas irem. Tínhamos combinado de viajar na sexta-feira à noite, depois que eu chegasse do trabalho e voltarmos no domingo à noite, de modo que chegássemos em Sydney na segunda cedo já que na terça de manhã todas teríamos que trabalhar. Até aí, beleza...

Uma semana antes eu fui verificar a passagem de ida pra Melbourne e descobri que não tinha ônibus nenhum saindo de Sydney depois das 22 da noite, a bem da verdade o que saía mais tarde saía às 20 (eu trabalho até as 21, ou seja... sem chance). Eu, sem o menor carisma pra me sentir sozinha acompanhada cercada por coreanos que não demonstram nenhum respeito e insistem em falar uma língua que eu não entendo, disse que elas poderiam viajar sem mim na sexta, que eu as encontraria no sábado à noite por lá e faríamos o passeio pela Great Ocean Road juntas no domingo. Daí elas voltariam pra Sydney no domingo à noite e eu ficaria por mais um dia.

Ainda rolou algum stress porque a coreana do mal queria fazer check in num albergue cheio de coreanos (surprise, surprise!) e eu não quis. Ficaríamos no mesmo albergue, passaríamos o domingo juntas. Com isso resolvido, fui ligar pro Idê pra desejar Feliz Aniversário pra ele... No meio da conversa, a "coreana boazinha" me passa um bilhete: nele está escrito que ela não está encontrando nenhum passeio que chegue antes das 19 de volta em Melbourne no domingo, e que como a passagem de volta delas está comprada pra esse horário, que elas fariam o passeio juntos no sábado, sem mim. "If that's ok with you..."

Como eu disse algumas vezes, mais do que a atitude em si, a necessidade de aliviar a consciência da merda que se estava a fazer, e de poder dizer que EU havia dito que estava tudo bem foi o que mais me irritou. Quer fazer merda? Quer ser filho da puta? Tenha coragem de assumir, de assumir que você não se importa, que está pouco se fodendo pros outros. Não venha tentar se livrar da culpa por cima de mim... "Bitte!"

Achei também que as vezes as pessoas não merecem nem a honestidade, não merecem que você as mande à merda. Merecem apenas a indiferença, o silêncio, um "tudo bem" frio e bem calculista.

Foi essa a minha resposta, que por sinal causou outra pergunta "Mas e você vai assim mesmo? Sozinha? A gente não vai se encontrar..." Tanta resposta boa que eu tinha pra dar, nenhuma que valesse a pena.

Fui dormir e tive o sonho mais surreal "ever". Sonhei que estava num ônibus viajando com a Cris, e o Daniel... eis que de repente o ônibus parava e eu descia pra ir até o shopping (que não era qualquer shopping mas o ABC Plaza) comprar alguma coisa. Eu enrolava, enrolava... e quando ia ver meu celular estava sem bateria, tomava um táxi correndo pra o lugar onde o ônibus estava, mas chegava lá e o ônibus já tinha partido. Ligava meu celular e tinha um recado da Cris, lamentando que, depois de tanto tempo, tivéssemos perdido essa oportunidade única de viajarmos juntas... Estávamos indo pros Estados Unidos!

O sonho é bem menos surreal se colocado nesse contexto todo, mas ainda assim é mega divertido. E explica bem a saudade que eu sinto das pessoas bacanas que eu conheço e que são os melhores companheiros de viagem de todos os tempos. Saudade de gente educada, querida, capaz de se importar... Saudades dos amigos que eu encontrei por acaso, mas mantive com muitos risos e com muitas lágrimas também...


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